Inside Me

Devaneios...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Carnival

Dentro do seu constante sorriso e alegria de viver, à ela também pertenciam dias tristes, incompreendidos no seu mar de pensamentos. Ela não conseguia mais enxergar os detalhes que a nutriam , que a faziam ter aquele brilho no olhar mesmo sabendo que, no social ou cultural, suas atitudes não seriam bem vistas, mas que dentro de si, não conseguia reprimir, não conseguia deixar de viver.
Se encontravam sempre, com dias bons e dias ruins, como qualquer dois, mas sempre com aquilo que sabiam pertencer só a elas. Sentiu medo num encontro coletivo, distante diante do mar e do céu estrelado, onde, talvez, fosse o lugar que mais quisesse estar com ela. O céu nublado trazia esperanças, a chuva chegava em boa hora, como que pra lavar sua alma já sem brilho. Deixou alguns pingos caírem sobre si e voltou pra casa. Adormeceu pensando nos passeios de madrugada, nos olhares trocados pela janela, nas bochechas avermelhadas, que de vez em quando, ambas não conseguiam evitar. Acordou com o suor escorrendo em sua testa, com a realidade batendo na porta no desespero de um grito que avisava que ela não era capaz, capaz de agir pelas duas, de evitar aqueles cortes por um sentimento que pertencia só a seu ser.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Fantasma

Você diz q está aí, etampado em suas entranhas, proeminente do seu sorriso falso e seus olhos de fada. Mas não enxergo a sua verdade, não enxergo quem conheci, pelo menos, não mais nesse corpo. Só vejo entre os cegos tua aura negra, sua falta de coragem, suas atitudes em exagero. Pare, olhe a janela, sinta a brisa tocar-lhe o rosto, sinta, pela primeira vez. Caminhe com a percepcão de cada parte de seu pé que toca o chão, perceba que quando as pessoas correm usam mais o calcanhar. Largue seu escudo, liberte-se dos seus medos e traumas, aprenda que todos são singulares e que inclusive o clichê alheio se diferencia. Fale o que tem vontade, seja fiel à sua alma ao invés de segurar as pedras. Não seja presa a esteriótipos, não volte porque te avisaram que estava chuvendo, vá e sinta você mesma os pingos caírem. Mas se alguém lhe der um conselho, escute,reflita, não tenha medo de mudar sua opinião, afinal, somos todos metamorfoses ambulantes.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Closed Eyes

You make me breath you air, you make me exist between your bones and smell.
I walk alway but you're still here. Why?
So Why are you still here if I can't touch your hands, if I can't have you body?
She does everything seems difficult than really are.

Why don't you open your wings and kiss me now?
I wanna hear your words, your perfect melody.
I just need you closer.
I know you need a time, I know you need to have a flight.
But I'm not what you mean. I can't, I just can't live you free.

Stop doing this, stop lying!
I 've lost my key inside you. Give me it back!
I wanna hear you saying you want the same, that you need my mouth as I need yours.
We breath together in our imperfect lines.

I could spend a night watching you sleeping if you didn't have had a hole in my soul.
It's make me to be addicted because you're the one.

So why are you screaming if I can't hear your voice anymore?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Conjunto.

Alice diz:
queria escrever sobre uma menina q teve uma onda vazia de desejos abstratos com mt gente em volta rs
meninabandini@hotmail.com diz:
pode ser uma onda cheia de desejos abstratos?
meninabandini@hotmail.com diz:
é a solidão do cotidiano, somos todos ilhas cercada de gente por todos os lados.



Ela sentia suas costas que encostavam a parede escorregarem devagar...
precisava escorar-se, a tontura de voltar-se pra dentro. Em meio a balbúrdia das vozes.À sua frente os quadros com os símbolos de "stop", "play" Foward" e "review", O Pause, ela não estava achando o Pause, olhando a distância talvez fosse a miopia que a impedisse de ver, ela queria o Pause, ela queria dar Pause e descer, o mundo andava girando rápido demais. E mesmo com os olhos fechados continuava a enxegar os vultos, continuava, inutilmente, procurando o único botão que faltava à sua paisagem. O botão que a fizesse abrir os olhos.Pela janela azul, brotavam palavas, transpareciam as frases de sua favorita poetisa . Sentia o gozo, arrepiar sua nuca, com uma gota de suor. E os vultos deixavam de ser vultos e as vozes deixam de ser vozes. E ela via pessoas em movimentos mágicos e escutava suas sístoles e diástoles. Ouvia o seu próprio corpo. Ouvia a melodia formada por seus quadros interiores, a melodia que fazia seus poros abrirem e exalar seu cheiro doce.Tinha lembranças etéreas. Lembrava da primeira vez que seu corpo tocou a água salgada. E sentia os primeiros pingos de chuva que lhe acertava o rosto. Ouvia as músicas que seu pai cantava para fazê-la dormir: "Abacateiro nós também somos do mato, como o pato e o leão..." Sentia-se leve. Plena. Nada mais lhe fazia falta, alcançou a si mesma por inteiro.
Respirava agora, lentamente, quase que inspirada na imagem daquela desconhecida a sua frente, aquela da qual discordava, aquela da qual gostava de discordar,
aquela que era seu Outro, que era seu lado submerso, aquela que a completava.
E dela só restava o rastro, algumas fotos antigas desbotadas, algumas folhas de caderno escritas, empoeiradas, alguns papéis de chocolates comidos guardados. Ela queria segurar o que lhe escapava...Ela queria entender como poderia se recordar dos gostos de água se não entendia o sentido do amor.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Angel

Sob a nova iluminação daqueles tão antigos arcos, passeava sozinha de mini saia, scarpin e seu drink colorido. Esbanjava sorrisos aos desconhecidos que lhe cercavam, pensava na vida que deixara pra trás, na ultima imagem registrada em sua memória. Aqueles gritos ainda ecoavam em seus ouvidos, bebia mais um gole e via o sangue manchar seu edredon, lembrava dos espelhos quebrados, das fotos rasgadas. Mais um gole e seu sorriso esvaia-se com as lágrimas que ao entardecer não conseguira cessar.


Com aquelas tão queridas asas, com suas tão queridas asas, transformava seus sonhos nos cacos espalhados pelo chão do banheiro.
Com suas tão desejadas asas,com aquelas tão desejadas asas, voava de encontro ao céu nublado,a dor do amor perdido, a dor latejante de seu pulso cortado.


Escolhera outra bebida, lembrava do começo de sua nova velha história, das unhas, que pintadas de vermelho, chamavam atenção para seu novo anel. Da mudança à casa destuída. As tardes no pedalinho, os beijos com sabor de licor. A cama que pertencia a eles e na qual um dia, viu deitar um novo alguém. Depois, só aqueles mesmos gritos, o aperto insano que a fazia contorcer-se agachada, a vida que sentia escorrer por entre seus dedos.


Com aquelas tão queridas asas, com suas tão queridas asas, transformava seus sonhos nos cacos espalhados pelo chão do banheiro.
Com suas tão desejadas asas,com aquelas tão desejadas asas, voava de encontro ao céu nublado,a dor do amor perdido, a dor latejante de seu pulso cortado.