Inside Me

Devaneios...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Ourselves

Dentro de sua tão correta e odiada rotina, começara a ter insônia, passara a perder suas madrugadas com perguntas cujas respostas não podiam encontradas em seus livros nem em seu tão eficaz site de busca. Achava não fazer parte daquele grupo, mas temia identificar-se ali pela primeira vez. Jurava ser um sentimento inventado, que nutria as pessoas de um vício do qual não conseguiam se livrar. Pensava ser fácil viver dentro daquela realidade imaginária, onde as nuvens eram feitas de algodão doce e os passáros cantavam juntos as mais lindas melodias. Quando finalmente fechou seus olhos, viu-se num mundo de fantasias,não como aquele, mas do qual não sabia fazer parte de um sonho ou de um despertar. Caminhava entre crianças que brincavam no parque, entre o mais lindo casal de velhinhos que dividiam o mesmo sorvete. Sentiu a brisa refrescar seu rosto, a calmaria do silênico e a luz da lua que a banhava, enquanto sozinha, ria ao olhar estrelas. Nos braços e no suspiro de outro alguém, descobriu que a vida era um eterno carnaval.

Ela.

As gotas embaçavam a janela juntamente com aquelas que escorriam frias de sua testa, na primeira sensação de tê-la perdido. Sem saber ao certo se a queria ou não, deu-lhe asas, soltou-a num mundo indescoberto à sua alma. O medo do novo alheio era constante em seus pensamentos, queria poder ultrapassar os obstáculos por ela, retirar os espinhos com os quais, muitas vezes, sem consciência, ela mesma feria aquela menina tão inocente. Via o sangue manchar aquela pele branca e suave como uma seda,as lágrimas que escorrerem naquele rosto assustado, mas sentia-se incapaz, sentia que precisáva tê-la, mas sentia-se também injusta e egoísta em prender tal criatura em seus braços. Seus braços talvez quisessem aquele corpo inteiro, mas queriam também alguns outros, não da mesma forma nem com a mesma intensidade, porém, a inconstância que a regia fazia com que ficasse no marasmo da dúvida, na angustia de talvez ter perdido por culpa própria, sua única chance de sorrir novamente.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Free Hugs

As ondas voltavam a lapidar aquela pedra novamente, retomavam seu sentido, apontando agora, uma direção diferente.
A subjetividade exalava das paredes em volta com um novo cheiro. O filtro amarelo e seu insenso de realização espiritual, continuavam ali, mas o ar tinha a leveza do nunca, do tudo e do nada, do contraste do equilíbrio perfeito. Esquecera que havia uma balança diante de si, onde era preciso contrapor seus desejos, passara a viver o que estava ali, sem medo, sem repressão, entendia mais que nunca, caminhava e sabia onde cada pé tocava, e mesmo sabendo que talvez fosse um caminho sem volta, entregou-se a liberdade que vinha dentro de si e só pertencia só a ela.
Interpretava seus sonhos sem medo de descobrir que a obsessão poderia não ter passado, sorria ao ver que compreendia atitudes alheias que durante tanto tempo a fizeram chorar, tomara a coragem da exposição, do eu completo.
Suas inspiraçãoes vinham de modo inesperado, não mais da folha que caía, mas daquela que começava a nascer. Exibia suas asas através da luz, que irradiada, faziam brilhar seus olhos de esmeraldas.