Anfetamina adocicada.
Naquela superfície perfeita, começaram a surgir rupturas e erupções, seus danos eram cada vez mais visíveis. Com o tempo, sua forma se transformava aos poucos, ia sendo apagada. Ao poder se identificar de novo, mesmo com suas novas pontas e cores, perdeu-se no caminho, não sabia se atravessava o labirinto ou pegava um atalho. Não pode ver a si mesma por dias, deu preferência a falta de dificuldades e encontrou um espelho. Evitou pensar, achou q a imagem preta refletida no vidro à sua frente era irreal, que pertencia a algo que não poderia esta ali. Sentiu frio, agachou-se e abraçou as pernas, deixou gotas de água salgada serem expelidas por seu próprio corpo. Despertou num dia ensolarado, não sabia o que era sonho nem o que era vida. Descobriu que voltara ao início de sua trajetória, mas frustrou-se ao ver que o reflexo negro continuava à sua frente e parou em frente a bifurcação. Caminhou por algumas horas, machucou-se, sorriu, viu paisagens novas à seus olhos infantis, brincou do que queria ser. Cantarolando e imitando o vôo de um beija-flor, deparou-se com um lago, molhou seus pés. Sentia-se livre, sentia a vida que não fazia parte de seu teatro, olhou em volta ao som do vento, brincou com o arco-íris de uma poça, assitiu a sua imgem refeltida em cada galho, em cada cada folha que brotava. Ansiosa, imaginou onde chegaria e pela segunda vez optou pelo caminho mais curto. Não resistiu muito tempo, seu sorriso se ofuscara, seu corpo pedia que parasse. Achou o verde entre o cinza, sabia que ali fecharia os olhos pela última vez, e descansou, descobriu que o fim já havia chegado, que sua metade estivera estampada em quatro cantos,mas não tinha sido percebida, que a luz que faltava a seu reflexo indicara o tempo todo o caminho a ser seguido, mas que seus olhos de orgulho e ambição à levaram ao mar incolor.

