Inside Me

Devaneios...

domingo, setembro 24, 2006

Noite Feliz

Lá estava ela em mais um de seus felizes dias, com a taça na mão, a brindar uma nova fase. Olhava aquelas luzes, as pessoas quase desconhecidas e o céu, via o reflexo de tudo aquilo em seu próprio corpo. O impecável sorriso sempre fazendo seus olhos parecerem esmeraldas e o seu rosto, pintado a mão, recebia elogios e não sabia se precisava ouvi-los ou se simplsmente ignorava-os. Esbaldou-se numa noite calma, dançou salsa ao som de jazz e descobriu o seu eu numa festa de estranhos. AS bochechas coraram-se, os olhos encheram-se de água e as lágrimas n encontraram barreiras, desciam no ritmo frenético do eletrônico que embalava a pista. Viu -se com o seu botão quebrado, encontrou-se a primeira vez com o anjo e o diabo juntos, ambos, lhe insinunado o mesmo de jeitos diferentes, pela primeira vez, agiu de acordo com aquela aureola. A verdade parecia doer com mais intensidade do que o corte em seu dedo que fazia o sangue jorrar. Estava sozinha, alimentada de expectativas que em um segundo desabaram, sobrevivia com o ar que se fez rarefeito.
Questionou um rumo, o seu tão certo objetivo, a singularidade que podia existir dentro de uma só pessoa. A mão que lhe dava os morangos mais doces, tocava agora, em sua ferida, a fazia sentir viva como nunca, tirava o ar que era necessário aos seus continuos soluços. Descobriu a razão pela qual tatuava estrelas em seu corpo.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Imaginário

Os papéis espalhados pelo chão do quarto, sua camisa de botão, manchada e ao avesso sobre a poltrona. Aquele mural, exalava o cheiro da intensidade, retratava dias frios, as férias com os amigos, a última pelada. Contava quase que a estória de uma vida, falava da noite em que tomou seu primeiro porre, da outra na qual teve um tombo registrado e do seu feliz aniversário, com o rosto cheio de marshmelow.
Tudo aquilo passava como um flash em sua mente, começou a analisar aquela criatura por inteira, a imagem estática na tela. Pegou seus lápis de colorir, rasbiscou o papel, viu a mesma coisa, tentou pela segunda vez e continuou frustrado, tentando buscar uma explicação. Se sentiu fraco, deitou-se e acabou por pegar no sonho, seu inconsciente mostrava-lhe a necessidade de uma reforma. Despertou quando um estalo lhe veio, descobriu porque não conseguia usar tons novos, paisagens diferentes, vivera sempre dentro daquele seu, idealizado, auto-retrato.

terça-feira, setembro 05, 2006

13 Horas

As noites parecem não fazer mais sentido, os dias exaustivos não surtem efeito, o cansaço chega junto com o entardecer. Ao dar o primeiro passo pra casa, e quase com um esboço de sorriso, o coração se contrai, os olhos se enchem d'água.
A primeira lágrima escorre, o gosto salgado chega aos lábios vermelhos e tremulos, a dor se instala, os carros param em cima das faixas, o barulho dos ônibus são silenciados, tudo é pintado de preto.
As palpebras, incertas de movimentos, não sabem se acordam de um sonho, ou se
fecharam-se pra realidade.
A imagem perfeita é criada ao cruzar a esquina, não qualquer uma, a esquina que assistiu os choros, as risadas, as provocações,as brigas, os abraços,os beijos e as despedidas, aquela que quase torcia pra mais um amor juvenil nascer debaixo de suas luzes.
O sorriso sapeca, que vem a cada segundo, teima em permanecer na memória, cala um peito, omite palavras, reprime sentimentos.
Dentro do ônibus, gelado, falta o edredon laranja, falta a Mel, o Murilo e o Bubú, faltam as conversas , os carinhos, falta a sutileza de cada toque.
O cigarro já não lhe oferece prazer, o céu é frio e acinzentado, e ela, continua todos os dias deixando uma pétala de rosa naquele lugar, mesmo sabendo que o vento as levarão à cada tarde, mesmo sabendo que talvez nunca sejam vistas e mesmo sabendo que talvez sua tentativa seja frustrada, ela não desiste de esperar debaixo daquela janela a outra metade do seu eu.

domingo, setembro 03, 2006

One.More.Day.

Acordou.em.mais.um.dia.vazio.de.vontades,vazio.de.expectativas,resolveu.andar.
por.qualquer.lugar,observava.as.pessoas.na.rua,seus.comportamentos,seus.
desejos,seus.atos. Mais.uma.vez,sentia-se.mais.perto.da.solidão.do.que.nunca, passeou.por.algumas.ruas,escutava.o.canto.dos.passarinhos,olhava,encantada,
como.se.pela.primeira.vez,os.visse.construir.um.ninho, quis.ajudar,e.sem.saber.como,a.inutilidade.tornou-se.presente. Com.os.olhos.cheios.d'água,precebia.a.dificuldade.em.todas.aquelas.penas.
coloridas,refletia.em.como.poderiam.emitir.tão.bonito.som.,diante.de.tudo
.aquilo.
Pensou.em.ter.asas,se.imaginou.voando,se.imaginou.buscando.alimento.para.
aqueles.que..nasceriam.logo, e.outra.idéia.lhe.veio: conseguiriam.mesmo.ter.vida.frente.a.todos.os.homens.que.cercavam.sua.árvore?
Sim,.aqueles.predadores,com.certeza,os.queriam.como.enfeites.dentro.de.suas.
casas,queriam.ser.donos.de.seus.cantos,queriam.suas.asas.quebradas. Deixou.a.lágrima.escorrer,ascendeu.um.cigarro.e.voltou.a.caminhar.
Sorriu.ao.ver.que.o.cachorrinho,cuja.coleira.escapou.da.criança,veio.em.
sua.direção,abaixou.para.brincar.com.aquele.filhote.e.recebeu.lambidas.
Suas.pernas.continuavam.sem.destino, achou.aquele.local.acolhedor,sentou-se,
abriu.sua.mochila.e.retirou.o.que.desejava. E.todos.a.olhavam,não.entendiam.porque.alguém.poderia.estar.sentado.ali,
com.um.livro.na.mão,no.sentido.contrário.aos.ônibus,que.impacientes,esperavam.