Black Water
Acordou, encheu a colher do brigadeiro que fizera na madrugada e ficou sentanda assistindo a cafeteira com seus barulhos deixar o mais maravilhoso aroma no ar. Aroma de tempo frio e chuvoso, aroma do orvalho que não percebia há tempos. Ah, um prazer imenso tomou conta daquela manhã gelada, trazendo também a nostalgia da qual tentava fugir, o sentimento capaz de fazê-la sentir a temperatura de sua sintonia, o calor das lágrimas que escorriam pelo seu rosto. E sorriu pela percepção de dois opostos se encontrarem pois não pudera lembrar de antônimos simultâneos num presente próximo.
À meia luz por vergonha, à meia luz porque temia o escuro e porque a claridade a cegava. Branda, pois assim anunciava sua intensidade, porque delicadamente ouvia a sua canção. Assim funcionava. Não queria pressa no passar das horas, gostava do tic tac de cada segundo, da sabia calma do pôr do sol.
À meia luz por vergonha, à meia luz porque temia o escuro e porque a claridade a cegava. Branda, pois assim anunciava sua intensidade, porque delicadamente ouvia a sua canção. Assim funcionava. Não queria pressa no passar das horas, gostava do tic tac de cada segundo, da sabia calma do pôr do sol.

