Waffle.
Dolorida pela ausência do sedentarismo, optou pela boêmia. Nao pôde ligar o rádio e foi até os arcos escutando seu próprio silêncio. Subiu as escadas e pediu ao garcom que conhecia, a sua loira peferida. Ganhou abracos e beijos, palavras carinhosas e sentiu-se feliz, mas preferiu sentar na varanda e observar o movimento exterior. Gostava do vento e do cheiro das pessoas, que cansadas, iam em busca de alguma distracao. Talvez buscasse aquilo também, mesmo que alguns de seus pensamentos fossem o de estar longe dali. Era inteiramente inconstante e as inúmeras frequências cardíacas que escutava, a assustavam. Imaginava quantas malandragens já haviam sido feitas naquele lugar, contabilizando as que ela mesmo fizera. Tinha uma teoria sobre tudo aquilo, achava que havia algum mistério, alguma magia. Nao achava ser possível a mudanca de comportamento que aquele local causava àqueles corpos. O ar era denso, se via muitos sorrisos e muitos choros, os dois de tamanha intensidade que conseguia montar quase uma equacao. Bom, tudo poderia ser desmembrado e recomposto em sua lógica, mas nao suportava falhas. Depois de mais alguns copos e tragos, algumas conclusoes, algumas lágrimas que nao esperava e a certeza de nao ter conseguido se recompor em sua lógica.

