Inside Me

Devaneios...

domingo, agosto 26, 2007

Waffle.

Dolorida pela ausência do sedentarismo, optou pela boêmia. Nao pôde ligar o rádio e foi até os arcos escutando seu próprio silêncio. Subiu as escadas e pediu ao garcom que conhecia, a sua loira peferida. Ganhou abracos e beijos, palavras carinhosas e sentiu-se feliz, mas preferiu sentar na varanda e observar o movimento exterior. Gostava do vento e do cheiro das pessoas, que cansadas, iam em busca de alguma distracao. Talvez buscasse aquilo também, mesmo que alguns de seus pensamentos fossem o de estar longe dali. Era inteiramente inconstante e as inúmeras frequências cardíacas que escutava, a assustavam. Imaginava quantas malandragens já haviam sido feitas naquele lugar, contabilizando as que ela mesmo fizera. Tinha uma teoria sobre tudo aquilo, achava que havia algum mistério, alguma magia. Nao achava ser possível a mudanca de comportamento que aquele local causava àqueles corpos. O ar era denso, se via muitos sorrisos e muitos choros, os dois de tamanha intensidade que conseguia montar quase uma equacao. Bom, tudo poderia ser desmembrado e recomposto em sua lógica, mas nao suportava falhas. Depois de mais alguns copos e tragos, algumas conclusoes, algumas lágrimas que nao esperava e a certeza de nao ter conseguido se recompor em sua lógica.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Teclado Chileno

Foi acordada pela tosse que seu xarope n conseguira curar, levantou em mais um dia livre de rotina, seguiu os mesmos passos. Foi até a cozinha, sentiu o cheiro do café, que fora programado para estar pronto naquela exata hora, todas as manhas. Pegou sua caneca preferida, echeu-a, pôs 12 gotas de adocante e foi de encontro ao seu cigarro de filtro vermelho. Sentiu o calor descendo por sua garganta até aconchegar-se em seu estômago. Abriu a cortina de seu quarto querendo ver o céu do novo dia. Esbocara um sorriso, a tonalidade do azul lhe causava isso, as vezes. Já podia tomar seu banho e escolher sua roupa, que provavelmente seria alegre, pelo humor daquele sol. Gostava muito de estar de pijamas, especialmente aquele de seda com cerejas desenhadas no short, entao, sentou com ele, em frente ao seu mais novo equipamento obsoleto. Fez o de costume, mas deparou-se com uma palavra diferente e instigante. Palavra ou pessoa, nao sabia ao certo, mas tinha a certeza de aquilo lhe agradara. A hora parecia correr mais do que o normal, seu telefone tocava e sentia-se irritada por ser lembrada todo o tempo das coisas que deveria fazer. Ficou sem reacao, n sabia o que lhe prendia àquela tela e continou ali, parada. Um minuto de desespero, via os ponteiros acelerados, sabia que faltava sua aula preferida, mas o que lhe aflingia era achar ter perdido o empenho daqueles minutos. Andou até a sala, voltou, deitou em sua cama e abracou sua boneca, retomou sua coragem e foi caminhando devagar até seu fouton colorido. Como num passe de mágicas, tudo estava em seu lugar, gargalhava sozinha, sentindo-se a crianca que sempre acreditou no coelho da cartola. Respirou fundo e só conseguia ver aquela imagem. Angustiada e curiosa sabia o seu porquê. Só queria ouvir respostas que soassem bem aos seus ouvidos, sentia sede de novidades, queria mais enigmas, queria o alguém capaz de decifrá-las.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Ao Redor.

Observava através daquela tão pequenina janela todos os detalhes do lado de fora, a mudança de tons que o céu exibia e suas nuvens tão brancas quanto algodão doce. Seguia angustiada sua trajetória, pensando no que deixara pra trás e em tudo que ainda estava por vir. Olhava para aquela criança, algumas poltronas ao lado, que não conseguia soltar as mãos de sua mãe, tentava quase que penetrar em sua mente querendo desvendar suas idéias e medos. Sim, o medo deveria ser o motivo pelo qual ela permanecia todo o tempo de olhos fechados. Fechou os seus também e respirava lentamente deixando as imagens fluirem, os sentimentos se acomodarem. Não sabia muito bem aonde estava, de onde vinha aquele cheiro e nem ao menos destingui-lo. Virou a primeira esquerda, apenas por intuição, deparou-se com árvores de outono, com gramados cobertos de folhas secas num dia azul. Sentou, com os ombros apoiados no muro do qual achava ser de um parque, ouvia ,bem distante, uma música que lembrava sua infância. Ria de si mesma, de seu instante de solidão. Dava gargalhadas gostosas quando depois de decidir levantar e girar no mesmo eixo, com os braços abertos, caiu sobre um monte de folhas, fazendo-as voarem. Sentiu-se um pouco ridícula também, afinal, não fazia idéia do que passava na cabeça do lixeiro a sua frente. Gostou daquele sentimento que durante tanto tempo evitou, talvez porque o mesmo tenha desencadeado uma série de outros dos quais não desfrutara há alguns anos, ou mesmo porque ele a fazia lembrar que estava viva. Pôs -se a testar tudo aquilo, então. Corria como se o vento gritasse liberdade em seus ouvidos, como se as gotas que começavam a cair lavassem sua alma e trouxessem de volta o seu brilho.
Um choro muito próximo a alcançava agora. Foi quando reparou naquele mesmo menino, no seu desespero vindo da turbulência, a mesma que cantava sua velha melodia em seu sonho lúcido.