Inside Me

Devaneios...

sábado, maio 19, 2007

|Belle|

A menina de sorriso sereno e olhos brilhantes passeava na noite sob os arcos com o ar da calmaria em suas entranhas. Ficou surpresa com o vazio da multidão boêmia, queria apenas uma escuridão livre e povoada, e frustrada, voltou ao murmurinho das vozes que não queria ouvir. Era quase como uma vontade que lhe saltava pela garganta ,mas interrompida pela negação de suas cordas vocais , era engolida novamente. Tentou se distrair com as conversas aperitivas a sua volta, experimentou uma bebida diferente , acabou com seus cigarros mas continuava com o rosto virado pra outra mesa. Ficou na dúvida entre querer queimar-se ou escapar de mais uma cicatriz. Mudou de planos, caminhou até outro lugar, viu as mesmas caras, e ainda, mais algumas diferentes. Encontrou caras antigas e divertindo-se, sentiu-se mais ameaçada do que em seu arco-íris. Gargalhou um bocado na tentativa de abstração. Desceu as escadas. Queimou-se.

terça-feira, maio 15, 2007

She

Mexia em suas folhas e fotografias guardadas, ficara surpresa com a quantidade de textos rabiscados nos anos anteriores. Começara a lê-los e reconhecia em cada um deles a situação que vivera. Não entendia ao certo como tais situações mexeram tanto com ela, percebia mais que nas palavras, na sua própria grafia. Passara a tarde inteira no chão do seu quarto com todas aquelas coisas velhas espalhadas ao redor. Levantava apenas para pegar mais uma xícara de café e esvaziar seu cinzeiro já lotado. Identificava as mesmas angústias em entrelinhas distintas, achava o mesmo motivo para momentos tão diferentes. Sabia gostar e desgostar de muitas coisas, mas não como ou o que fazer de todas elas. Pegara seus cadernos mais recentes que também falavam de suas verdades desconhecidas, organizou seus papéis e fotografias, seus lazeres e chatices e enxergava naquela fileira toda uma única semelhança. E quando por fim realizou o seu significado, pois se a bagunçar tudo de novo com medo de q sua verdade não pudesse vir à tona.

quinta-feira, maio 10, 2007

Red Side

Tudo parecia se repetir. As mesmas pessoas, as mesmas situações. Agora, porém, o quebra-cabeça não se encaixava mais. Suas peças tinham sido partidas em pequenos fragmentos após mais uma queda, mas que outrora não fizera diferença. Não lhe passara a idéia de dilatadas àquelas partículas, e sim contraídas já que o hoje era apenas uma passado melhorado e com um tom a mais de vermelho. Perguntava-se se tudo era remontável e começou a analisar de forma contrária, mesmo que pensasse em objetos. Sua bebida preferida, o café, ganhava sempre um gosto horrível e amargo quando requentado, mesmo intacto dentro da jarra de vidro e tendo apenas vivido o processo inverso da cafeteira. Obtera a resposta que parecia lhe encher ainda mais de questões: Nada é perfeitamente colável depois de qualquer sofrimento, nada! Aceitava o fato de se encher de interrogações quanto ao passado, mas não o fato de ter visto sua própria teoria contrariada por si mesma meses atrás. Como pode ter conseguido a perfeita junção de tudo aquilo se só havia mais uma cor? Sabia que as palavras e atitudes da última semana causaram certo impacto nela e nos outros, que as lágrimas choradas antes pertenceriam à outras órbitas amanhã. Sabia também que era capaz de ver as cenas que tanto haviam a aterrorizado e que conseguiria até sorrir diante delas, mas continuava a procura da exclamação pra sua afirmativa. Resumia os nomes e acontecimentos, os machucados e os anestésicos e achava ter certeza de que eram exatamente como os antigos. Quis pôr-se à prova sabendo ser desnecessário, sentia aflição, não medo e refutou a hipótese. Lembrou-se de um detalhe e apesar de amá-los achou minúsculo para tal mudança em seu interior. Esgotara-se de raciocínos e pusera-se a deixar a dúvida de lado. Foi quando saiu para mais um dia desigual e ao contar a sua exaustão teve certeza da mágica. Não era aquele detalhe minúsculo muito menos o vermelho, era tudo por detrás daquilo. Era ter conseguido transformar em um sonho cotidiano, o pesadelo de sua última paixão.