Tudo parecia se repetir. As mesmas pessoas, as mesmas situações. Agora, porém, o quebra-cabeça não se encaixava mais. Suas peças tinham sido partidas em pequenos fragmentos após mais uma queda, mas que outrora não fizera diferença. Não lhe passara a idéia de dilatadas àquelas partículas, e sim contraídas já que o hoje era apenas uma passado melhorado e com um tom a mais de vermelho. Perguntava-se se tudo era remontável e começou a analisar de forma contrária, mesmo que pensasse em objetos. Sua bebida preferida, o café, ganhava sempre um gosto horrível e amargo quando requentado, mesmo intacto dentro da jarra de vidro e tendo apenas vivido o processo inverso da cafeteira. Obtera a resposta que parecia lhe encher ainda mais de questões: Nada é perfeitamente colável depois de qualquer sofrimento, nada! Aceitava o fato de se encher de interrogações quanto ao passado, mas não o fato de ter visto sua própria teoria contrariada por si mesma meses atrás. Como pode ter conseguido a perfeita junção de tudo aquilo se só havia mais uma cor? Sabia que as palavras e atitudes da última semana causaram certo impacto nela e nos outros, que as lágrimas choradas antes pertenceriam à outras órbitas amanhã. Sabia também que era capaz de ver as cenas que tanto haviam a aterrorizado e que conseguiria até sorrir diante delas, mas continuava a procura da exclamação pra sua afirmativa. Resumia os nomes e acontecimentos, os machucados e os anestésicos e achava ter certeza de que eram exatamente como os antigos. Quis pôr-se à prova sabendo ser desnecessário, sentia aflição, não medo e refutou a hipótese. Lembrou-se de um detalhe e apesar de amá-los achou minúsculo para tal mudança em seu interior. Esgotara-se de raciocínos e pusera-se a deixar a dúvida de lado. Foi quando saiu para mais um dia desigual e ao contar a sua exaustão teve certeza da mágica. Não era aquele detalhe minúsculo muito menos o vermelho, era tudo por detrás daquilo. Era ter conseguido transformar em um sonho cotidiano, o pesadelo de sua última paixão.